segunda-feira, 29 de março de 2010

DICA 7 - Noções básicas e divisões da Antropologia

NOÇÕES BÁSICAS E DIVISÕES DA ANTROPOLOGIA

entender do que trata e como trata antropologia o seu objeto.
conhecer as diferenças básicas entre as etapas históricas da Antropologia.
compreender as divisões da Antropologia e as suas razões.

Nas aulas anteriores, vinculamos o social à Sociologia, a violência à Ciência Política, e a cultura à Antropologia, tendo em vista indicar o mínimo necessário para começar a entender as razões dessa divisão das Ciências Sociais. Vimos também que chamamos de cultural toda a realidade produzida individual e coletivamente pela inteligência humana

A Antropologia tem a sua própria divisão, decorrente de longa história, na qual métodos e técnicas de investigação e pesquisa, bem como diferentes concepções do que devia ser o seu objeto de estudo, fizeram-se fundamento de partes qualificadas de antropológicas e consolidadas nos meios acadêmicos, apesar das muitas divergências entre os seus estudiosos.

No século XIX, pretendia-se que a Antropologia fosse uma espécie de Antropologia Geral, de modo a englobar realidades humanas biológicas, históricas e sócio-culturais.
O problema é que fazer relações entre essas realidades em um tempo em que o desenvolvimento industrial era tomado como medida da qualidade dos povos, levou aquela Antropologia a ser tomada como fundamento científico de algo que a muito tempo era realidade na Europa: o racismo.
A Antropologia alcançou o seu relativo sucesso ao explicar a superioridade material européia. Ao justificar o colonialismo e o imperialismo, e também ao ligar a criminalidade a propensões biológicas dos indivíduos.

O desenvolvimento das Ciências Sociais (Sociologia) no século XIX inspirou estudos dos fenômenos culturais, como o estudo das realidades derivadas das relações dos homens com o meio (Geográfico e/ou social) em que viviam.
Os fenômenos culturais não consideravam o homem um produto do meio e sim um produto do seu meio. Ou seja, era considerado como um acréscimo produzido a partir de sua relação com o meio em que vivia e que não era exatamente produzido por ele, mas sim um meio geográfico e/ou um meio produzido anteriormente por outros homens

O resultado desses estudos, em que se recusava reconhecer a produção cultural como derivada das condições biológicas dos homens, especialmente as raciais, foi a divisão da Antropologia
No seu significado etimológico a palavra Antropologia quer dizer “estudo do homem”. Indo além do limitado significado do seu nome, a Antropologia trabalha para conhecer os homens não só pelas suas criações, mas pelas relações que aqueles têm com estas, com a parte do mundo a que se referem e ao próprio mundo como o concebem. Enfim, trabalha para conhecê-los em um universo de inesgotáveis relações com a própria consciência do que pensam e do que fazem no mais amplo sentido.
Enquanto o desenvolvimento técnico aplicado à Antropologia Biológica levou-a quase a se tornar uma Antropometria, a Antropologia desenvolvida a partir das contribuições sociológicas conquistou para si a palavra cultura e todo o significado a ela atribuído.
Contudo, nem a Antropologia Física ou Biológica fez da Antropometria os seus limites, nem a Antropologia Social ou Cultural eliminou as considerações de base biológica, embora existam influências recíprocas na oposição irreversível e no antagonismo inconciliável) em Física ou Biológica e Social ou Cultural, numa posição irreversível, dado o antagonismo inconciliável de suas concepções básicas).
A Antropologia Física ou Biológica não é mais somente uma prática de medições de estaturas, crânios, de faces ou de troncos e membros voltada para classificar definitivamente as raças do planeta, com todo o perigo de fundamentar teses racistas. As considerações de ordem cultural foram acrescentadas e o seu resultado mais expressivo foi o aparecimento dos estudos arqueológicos.
A Antropologia Social ou Cultural, devido a seus métodos e técnicas de investigação e pesquisa voltadas para romper com os julgamentos racistas e preconceituosos, buscou o caminho da neutralidade investigativa e da imersão nas realidades culturais para ser mais justa e fiel aos grupos ou povos estudados. Isso a levou a trabalhos de campo, nos quais destacou a observação participante como um de seus principais métodos.

A busca por estudar sociedades diversas, cada uma nos seus próprios termos, deixou em aberto as possibilidades de investigação das sociedades passadas ou do passado dos homens, de acordo com essa ambição de neutralidade e justiça.
E isso fez com que os estudos arqueológicos, enraizados na Antropologia Física, progredissem e levassem a um novo ideal e projeto de ciência social.

A busca da Antropologia Social em estudar sociedades diversas, cada uma nos seus próprios termos, deixou em aberto as possibilidades de investigação das sociedades passadas ou do passado dos homens, de acordo com a ambição de neutralidade e justiça. Isso fez com que os estudos arqueológicos, enraizados na Antropologia Física, progredissem e levassem a um novo ideal e projeto de ciência social.
A Arqueologia é concentrada nas coisas antigas, desde que sejam indicativas da presença e da ação dos homens. Sua abrangência está relacionada a achados e estudos típicos de Antropologia Física. Está relacionada também a indicadores de invenção humana, como armas e artefatos em geral, com especial atenção à escrita e a outras formas simbólicas de expressão, que estão mais próximas da Antropologia Social ou Cultural. Mas é preciso deixar claro que a Arqueologia, hoje, por meio de seus estudiosos, é uma ciência ou disciplina à parte de suas raízes antropológicas, cujo instrumental teórico e prático não prescinde.

As contribuições da Antropologia Social ou Cultural levaram a uma determinada opção no tratamento dos conhecimentos antropológicos, que não devem mais ser tomados como absolutos e válidos para todos os tempos e lugares. Adotou-se, então, um procedimento definido pelo verbo relativizar e sua conjugação tomou o lugar dos imperativos e categóricos conhecimentos anteriores.
Propõe-se que a Antropologia proceda no estudo dos fenômenos culturais.
As descobertas ou confirmações da realidade cultural seja um modo de pescar, uma técnica de construção de barcos, relações de parentesco, cantos, pinturas, escrita ou outros indicativos de presença e intervenção humanas, não são mais limitadas pela ideia de que o homem criou, porque assim reagiu ao meio e porque tem alguma utilidade, embora isso continue sendo considerável e veja a sua própria história relativizando.

A escola evolucionista
Possui uma clássica concepção da evolução humana em sociedades, que fala numa sequência que passa por selvajaria, barbárie e civilização


A escola Funcionalista
Contraria ao evolucionismo e as suas tendências a hierarquizar os povos e consolidar preconceitos, apesar da oposição dos estruturalistas.

A Escola Estruturalista
Se baseia na noção de estrutura social, proposta por Lévi-Strauss, para significar não a realidade empírica e sim aos modelos construídos para representar a realidade das relações sociais, que são a matéria-prima dessa construção.

Para termos as noções básicas da Antropologia e suas divisões, precisamos considerar a Antropologia Física ou Biológica, a Antropologia Social ou Cultural e a Arqueologia.
Estas têm relações com as escolas evolucionista, funcionalista e estruturalista, lembrando as muitas especializações possíveis, como, por exemplo, a Antropologia Política e a Antropologia Urbana.

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