segunda-feira, 22 de março de 2010

DICA 4 - Karl Marx e sua importância nas Ciências Sociais.

KARL MARX E SUA IMPORTÂNCIA NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

 Compreender que o pensamento de Marx foi construído em oposição à Filosofia de Hegel.
 Identificar que para Marx, a produção social das condições materiais de existência é a condição necessária de existência das sociedades.
 Reconhecer que Marx concluiu que as relações sociais de produção são as formas de produzir às condições materiais de existência em sociedades.

Karl Marx
- rejeitou a influência da Filosofia de Hegel e de sua concepção de mundo.
- construiu o pensamento materialista de oposição cuja conclusão, por ser de caráter puramente social, acabou por ser uma das concepções clássicas das Ciências Sociais.
- concebeu as sociedades como formas materiais de existência humana.

Por quais razões Marx concebe as sociedades como formas materiais de existência humana?
Qual a importância dessa concepção para as Ciências Sociais?

Vamos começar com o Idealismo, conceito que é oposto ao Materialismo de Marx.




IDEALISMO
 Tipo de espiritualismo que considera que acima de todos os espíritos está um espírito onipotente e criador dos demais.
 Tudo aquilo que, como a realidade material, aparentemente não seria espiritual: Deus, ser absoluto, basta a si mesmo.
 Deus com sua onipotência racional, criou uma ordem geral, natural e de plena de racionalidade e criou os espíritos semelhantes a Ele.
 Os espíritos humanos, dotados de racionalidade que tinham de se desenvolver como se desenvolve uma semente até se tornar uma árvore)
 Considera que a substância de todos os espíritos é a “razão”, o que equivale a dizer que a qualidade específica dos espíritos é a racionalidade.

Hegel:
- demonstrava que o desenvolvimento dos homens eram as sociedades (Da mesma maneira que Deus criou a Natureza fazendo-a possuidora de uma ordem natural (as suas leis naturais) idêntica à ordem espiritual (as regras racionais previamente escolhidas para ela);
- as sociedades eram criações do espírito humano ainda não acabadas, porque esse espírito realizava ordens sociais racionais (por meio das leis jurídicas), mas estava ainda em evolução, isto é, não eram realizações definitivas como uma árvore).
Estas eram realizações do espírito humano, semelhante ao espírito divino, mas sem a sua potência e sempre em um estágio determinado, fazendo história, até concluí-la em uma última sociedade: seu ponto definitivo na árvore que as sociedades estavam destinadas a ser como realização do ponto mais elevado da racionalidade humana.

AS IDEIAS DE MARX EM OPOSIÇÃO À CONCEPÇÃO DE HEGEL
Marx fez objeção à concepção hegeliana, pois não acreditava em espíritos, não acreditava que a ordem da Natureza fosse em essência uma ordem espiritual, nem que a ordem da sociedade fosse uma ordem derivada do espírito humano no ponto de evolução em que estivesse.
Tal como a Filosofia de Hegel, que fundamentava com seu idealismo o Direito e as sociedades, Marx precisava que, em oposição, que o seu materialismo fizesse o mesmo.
O idealismo de Hegel desenvolvera uma teoria da história da Filosofia, por meio da qual era possível deduzir uma história idealista do Direito e das sociedades.

Marx tinha que produzir (Esse não era um problema que pudesse ser resolvido recorrendo à tradição do materialismo filosófico em Leucipo, Demócrito e Epicuro.
Não era possível encontrar nesse materialismo uma ideia compatível com algum princípio de transformação, sempre necessário quando se quer falar em história não como coleção de fatos e sim como sucessão de radicais mudanças.
A ideia de átomo, por exemplo, não inspirava ideia de mudanças, de variações), antes de tudo uma concepção materialista da história. Só a partir dessa concepção poderia ter uma teoria materialista para as sociedades, para a Filosofia e para o Direito.

MARX E AS CIÊNCIAS SOCIAIS
Em 1837, Marx era estudante de Direito na Universidade de Berlim, quando encontrou a questão que motivaria seu trabalho intelectual por toda a vida, trabalho do qual várias partes foram tomadas como contribuições para as Ciências Sociais.
Nesta universidade, o ensino e o estudo do Direito eram fundamentados no pensamento de Hegel, filósofo cuja concepção de mundo, isto é, concepção daquilo que seria em si a realidade das coisas, a essência das coisas, pode ser definida como idealista.
Quando ainda jovem, Marx, de modo muito rude, primário, afirmou que a ordem da Natureza não é uma realização espiritual, divina, e sim uma ordem material em si mesma, e que a ordem das sociedades não é uma realização do espírito humano e sim uma forma de existência material dos homens.

Hegel, na sua teoria da história, recorrera à ideia da unidade de contrários de Heráclito (Filósofo pré-socrático).
Com ela, lhe fora possível imaginar o pensamento absoluto, bastando a si mesmo, sem recorrer a nenhuma outra realidade para pensar, porque já trazia ao produzir a tese (Conceito), imediatamente ligada a ela, portanto, a sua antítese (O seu contrário), o que lhe permitia discutir em si mesmo e chegar a uma síntese.
Era isto o que Marx precisava encontrar na existência material das sociedades para que estas fossem pensadas como realidades em si mesmas, bastantes em si mesmas para terem suas histórias materiais independentes de realidades que não fossem materiais e sociais.
Se a ideia de unidade de contrários dera condições à uma concepção idealista da história, poderia dar condições a uma concepção materialista da história. O problema seria descobrir a existência de alguma unidade de contrários nas sociedades.

Marx chegou (Após uma sucessão de trabalhos escritos para desenvolver suas reflexões básicas, de ler alguns trabalhos de Engels e de escrever com este um trabalho para esclarecer as ideias convergentes de ambos) chega a um raciocínio simples, sobre o qual seria construída uma complexa teoria das sociedades, que obedeceu à exigência de não recorrer a nenhuma realidade não material ou não social para fundamentá-la. Esta foi uma condição não intencional nem prevista, mas decisiva para fazer de seu autor um clássico das ciências sociais.
Se existem Filosofia e Direito e se há história, é porque existem sociedades. Se sociedades existem, é porque nelas os homens estão vivos. Se nelas os homens estão vivos, é porque em sociedades encontram condições materiais de existência.
Como em sociedades essas condições não são dadas e sim produzidas, existe a produção social dessas condições, que é totalmente diferente da produção isolada de um homem perdido em uma ilha. Essa produção social só é possível por meio de relações sociais de produção.

Marx não hesitou em considerar que a unidade de contrários que procurava no mundo material estava nas relações sociais de produção (Relações entre burgueses e operários, relações antagônicas, relações entre contrários)
Após conhecer o proletariado de Paris e ter conhecimento da vida dos trabalhadores na Inglaterra por meio de um dos trabalhos de Engels. Foi a essas relações (As relações “entre patrício e plebeu, entre barão e servo, e outras entre opressores e oprimidos”) e a todos os tipos semelhantes encontradas na história que ele chamou de luta de classes.

A PRODUÇÃO DAS CONDIÇÕES MATERIAIS
Para haver produção social das condições materiais de existência, as relações sociais de produção devem se conjugar às forças produtivas materiais existentes nas sociedades. Essas forças produtivas são os recursos humanos que as sociedades possuem, desde a força física de cada trabalhador até os instrumentos de produção produzidos pelos homens e as técnicas de utilizá-los.
Para Marx, sem essa conjugação não haverá produção social das condições materiais de existência, não haverá homens vivos formando sociedades, não haverá sociedades, não haverá Direito nem história. Ou seja, sem conjugação entre relações sociais de produção e as forças produtivas materiais das sociedades, não haverá produção social; sem produção social não haverá sociedades.

Se a infraestrutura são as relações sociais de produção que têm como elemento ou objeto tudo que esteja no trajeto da produção social até o consumo final, estas não podem ser pensadas no vazio, isoladas.
Essas relações devem sempre ser pensadas em conjugação com as forças produtivas materiais das sociedades, que são os seus elementos próprios, os seus objetos definidores, como condição necessária para as sociedades existirem. Não é, portanto, qualquer produção das condições materiais que dá existência às sociedades. É preciso que seja produção social, produção por meio de relações sociais.
Assim, se toda sociedade para Marx é uma síntese de três tipos de realidades, cada uma com a sua ordem ou estrutura, essa síntese só é possível se houver essa produção social das condições materiais de existência. Só ela torna possível que haja uma ordem de ideias socialmente significativas com relações sociais próprias (superestrutura ideológica) e que o emprego da violência entre os homens seja organizado num outro conjunto de relações sociais para garantia deles próprios em sociedades (superestrutura jurídico-política).

 O rigor com que Marx procurou marcar e distinguir as relações sociais, em especial as relações sociais de produção, como resultado de sua oposição ao idealismo de Hegel, veio a ser a principal razão da consagração de seu pensamento como um clássico das Ciências Sociais.

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