sexta-feira, 26 de março de 2010

DICA 6 - A Sociologia Compreensiva de Max Weber

 
A Sociologia Compreensiva de Max Weber

Compreender que a Sociologia é uma ciência que se propõe a entender e interpretar  para em seguida explicar a ação social;
Identificar as definições fundamentais de Max Weber;
Conhecer o procedimento interpretativo de Max Weber, a construção do tipo ideal identificando os tipos ideais de ação social.
 
Nesta aula, veremos as bases da Sociologia que rejeitam a ideia de que o homem seja um animal social por natureza e a ideia de que o social é exterior aos homens.
Max Weber (Com formação e carreira docente em Direito e em Economia) dedicou-se à criação de uma Sociologia que reconhecesse e desse às pessoas individuais a importância que o exagero despersonalizante.
 
No final do século XIX, devido à grande influência do pensamento marxista e do que era produzido sob o nome de Sociologia, havia nas Ciências Sociais tamanha presença de conceitos coletivos, que a importância dos indivíduos, considerando-se aquilo que de mais puramente individual pudessem ser portadores, parecia ter sido completamente desprezada.
O fato de tanto Marx quanto Durkheim, os mais importantes autores até aquele ponto, terem procurado demonstrar a existência de realidades sociais como coisas puras, dava margem a que, sem maiores cuidados, muitos de seus seguidores interpretassem assim.
Desse modo, classes, estamentos, partidos, estados, clubes, empresas, nações e outras formas de existência coletiva eram tratados como se os indivíduos que lhes davam existência nada importassem e em nada influenciassem naquilo que podiam significar nas sociedades.
 
Para compreendermos as bases de Weber e a razão do nome Sociologia Compreensiva, precisamos primeiro conhecer a definição que ele dá para a Sociologia.
Weber projetou uma Sociologia que partisse da ideia de que o social não estava acima dos indivíduos e nem fazia parte de sua natureza, mas estaria, sim, naquilo que mentalizassem quando agissem, ou melhor, nas ações em que levassem em consideração a conduta de outros.)
 
Weber diz que Sociologia é uma ciência que pretende entender e interpretar  a ação social, para dessa maneira explicá-la causalmente em seus desenvolvimentos e efeitos não pensa, portanto, em explicar o que observou. Ela interpreta para explicar em seu desenvolvimento e efeitos, a ação social, enfim todas as ações
A Relação social acontece quando:
 - Os sujeitos levam em consideração a conduta dos outros em suas ações.
- reciprocamente agem e interagem numa conduta plural de dois ou mais sujeitos, que podem ser assim qualificadas.
Por ação social entende-se aquela em que seu sujeito, ao mentalizar um sentido, leve em consideração a conduta de outros e oriente-se por essa conduta em seu desenvolvimento.
 
A Sociologia Compreensiva de Max Weber está voltada para:.
Na Interpretação do sentido mentalizado pelos sujeitos de ações sociais.
 Na ações coletivas, ou seja, nas ações de nações, partidos, clubes ou sindicatos.
 no sentido que não está nas pessoas coletivas e sim nas pessoas individuais, na mente de cada pessoa que age em uma dessas ações
 
Toda interpretação tende à evidência
Se todas as pessoas individuais quando agirem em uma mesma ação coletiva tiverem o mesmo sentido mentalizado, não haverá a menor necessidade de interpretar esse sentido, pois ele estará dado, será evidente, não precisará de interpretações.
Se há uma Interpretação dada não precisa mais ser perseguida, pensada, procurada em pensamento pelo intérprete.
Weber estudou as concepções que tendiam a abolir a importância dos sujeitos individuais sob a alegação de que esses agiam de acordo com o sujeito coletivo, fosse este um partido, um sindicato ou principalmente uma classe.
Para ele, quando se falava em ação de classe, dizia-se erradamente que “o indivíduo pode errar em relação a seus interesses, mas a classe nunca erra”. Isso porque, para muitos as classes eram sujeitos da produção e da história e não os indivíduos.)
 
O fato de indivíduos terem os mesmos objetivos ao agirem coletivamente não garantia a ninguém que tinham os mesmos motivos
O fato dos indivíduos agirem coletivamente por melhores salários, não garantia que todos tinham os mesmos motivos para desejarem aumentá-los, que todos iriam fazer as mesmas coisas no caso de ganharem mais dinheiro.
Não era porque todos os partidos tinham o mesmo objetivo, o de alcançarem e dominarem as instituições políticas, que tinham o mesmo motivo, o mesmo ideal para alcançá-las e dominá-las), os mesmos sentidos mentalizados
Partidos políticos, por exemplo, podem ter o objetivo comum de “alcançar o poder”, porém seus motivos particulares (Aqueles que aparecem em seus programas) são diferentes.
Falar de um único partido, como se a maioria deles ou todos fossem iguais em relação aos objetivos (que estão em seus programas, em relação ao que seus afiliados têm em mente quando agem em seu nome), não encontra evidência.
 
A falta de uma evidência quando se quer falar do sentido, isto é, dos motivos dos partidos políticos em geral, ou de uma certa época, de certo país, não vem a ser uma impossibilidade.
O sociólogo pode construí-la, como ideia ou como produto de pensamento, desde que esse pensamento tenha como base a realidade.
 
A mesma realidade de tão dispersa, tão diferente nos motivos particulares dos partidos políticos, está muito longe de apresentar maioria ou unanimidade de motivos
O tipo ideal é o nome dado aos motivos das ações (evidência dos sentidos) construído idealmente, por raciocínio, a partir da realidade em que estão dispersos.
 
Exemplo de Tipo Ideal
Como exemplo de tipo ideal, vamos imaginar um determinado país no qual haja dez partidos políticos que, apesar das suas muitas diferenças e divergências, obedeçam a uma única ordem política definida em uma constituição e vivam sob o signo do “poder” próprio dessa ordem constitucional.
Vamos considerar que, aos pares ou em grupos, os partidos concordem em alguns pontos programáticos. Sem levar em conta o percentual de eleitores que tenderia a votar em cada um deles e, uma vez que nenhum deles teria a maioria absoluta de eleitores (não havendo, portanto, partido preponderante), vamos buscar o sentido individual de cada um desses partidos, de modo a chegar àquele que seria o sentido típico-ideal de partido político desse país.      
 
Esse tipo ideal não existirá na realidade. Porém, a sua construção teórica deverá nos aproximar ao máximo do sentido real de todos eles individualmente considerados, indicando o programa político típico-ideal do que tende a ser apresentado nas eleições de determinada época desse imaginário país.
Limitamos em três os pontos programáticos de cada partido, que, em rigor, seriam os sentidos mentalizados por seus atores ao representá-los em suas ações políticas, e representamos cada um deles com uma letra:
 
Depois formamos com eles o tipo ideal do sentido dos partidos políticos do país que imaginamos, em consequência, o tipo ideal do que tendem a propor na propaganda política:  ADG
Desse modo, a dispersão dos sentidos desses partidos políticos, foi posta em ordem pelo pensamento e se fez a melhor aproximação possível a essa realidade, embora esse tipo puro não exista nessa realidade, a partir da qual e para a interpretação da qual foi construído.
Weber dizia que “a casuística sociológica só pode construir-se a partir desses tipos puros (ideais). Porém, é por si evidente que a sociologia emprega tipos médios (modais), do gênero dos tipos empírico-estatísticos; uma construção que não requer aqui maiores esclarecimentos metodológicos”. 
 
Weber destacou sentidos diferentes entre si, que seriam os mais frequentes (no sentido de mais comuns à realidade de todas as ações, por mais heterogêneas que fossem), e construiu sentidos típico-ideais puros. Estes seriam os mais abrangentes possíveis e válidos na interpretação de todas as realidades sociais ou não, individuais ou comunitárias.
A ação social (Como toda e qualquer ação) pode ser:
Racional: Relativa a fins
Racional: Relativa a valores
Tradicional
Afetiva
 
AÇÃO RACIONAL: RELATIVA A FINS
Ação na qual os sujeitos teriam em mente um fim racionalmente definido e seguiriam meios racionalmente elaborados para atingi-lo.
Seria o caso de um partido político ter como fim obter a maior votação possível em uma eleição e planejar sua propaganda como meio de obtê-la.
Ou, então, alguém que tenha um excedente monetário deposita esse excedente em uma caderneta de poupança, pensando em preservar o seu poder de compra, ou em fazer maiores gastos no futuro)
 
Ação racional relativa a valores
Ação na qual os sujeitos teriam em mente diferenciais racionalmente elaborados de conduta individual ou coletiva, como seriam os códigos de regras de conduta em geral, tanto os formais quanto os informais.
Também o caso de um médico guardar segredo de algum fato do qual tomou conhecimento em virtude de seu exercício profissional, devido ao código de ética médica)
Seria o caso de fazer ou deixar de fazer alguma coisa devido a obedecer aos Dez Mandamentos.
 
Ação afetiva
Ação motivada por estados emocionais como os de medo, raiva, ambição, inveja, ciúme, amor, entusiasmo, orgulho, vingança, piedade, devoção ou por qualquer outro tipo de sentimento ou impulso racionalmente inexplicável.
Seria o caso das ações predominantes dos personagens da tragédia
Romeu e Julieta
 
Ação tradicional
Ação cujo sentido estaria em hábitos e costumes arraigados, por vezes até difíceis de terem as suas origens conhecidas pelos seus sujeitos.
Seria o caso de festas populares como o carnaval e as festas juninas
Ou a legitimidade dada a um rei ou a uma rainha para governar.

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