segunda-feira, 22 de março de 2010

DICA 3 - A Pluralidade das Ciências Sociais. Diferenças básicas e autores clássicos

A Pluralidade das Ciências Sociais. Diferenças Básicas Autores Clássicos

 Marx, as sociedades seriam formadas pela conjugação
de três partes inseparáveis: a produtiva, a ideológica
e a jurídico-política.
Durkheim, o social consiste em maneiras de agir, pensar e sentir, coletivas e não individuais
 Weber, será toda ação humana em que o sujeito tem em mente, isto é, mentalizada, a conduta ou ação Em ordem cronológica de aparecimento, são eles:
 Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber

 Admite-se hoje que as Ciências Sociais têm nesses três autores clássicos seus principais referenciais.
 São três diferentes concepções científicas, de realidade social e três diferentes propostas de método que não se combinam nem se completam.
 de outros sujeitos.

Pluralidade de Pensamento
Há um pensamento equivocado deque um dos autores deveria prevalece sobre os outros dois, como se maneira científica de pensar tivesse que ser necessariamente única, como se a pluralidade no pensamento de uma ciência fosse um erro, uma etapa pré-científica.
A PLURALIDADE de pensamento nas ciências sociais com a sua diversidade de pensadores é a sua maior riqueza e a sua melhor demonstração de liberdade intelectual.
Nenhum dos três autores pode ser considerado errado. Suas bases são diferentes, mas não negam umas as outras. Elas apontam para diferentes caminhos, que demonstram como diferentes maneiras de ver a realidade..

INFRAESTRUTURA PRODUTIVA
A INFRAESTRUTURA produtiva (ou econômica) seria o grande conjunto de relações sociais decorrentes de determinado tipo de propriedade de meios de produção.
As relações sociais de produção, que têm como elemento ou objeto tudo aquilo que está no processo social,vai da produção, passando pela circulação, pela distribuição e pela troca, até o consumo final, como: força de trabalho, instrumentos de produção, fábricas, caminhões, frigoríficos, supermercados e bens de consumo.

ESTRUTURA IDEOLÓGICA
A superestrutura ideológica seria o grande conjunto de relações sociais que tem como elemento as ideias socialmente significativas, isto é, aquelas que dizem respeito direta ou indiretamente à vida dos homens em sociedades.
Os componentes dessas estruturas são:
- a censura, explícita ou não.
- os meios de comunicação de massa.
- as escolas.
- as faculdades.
- e demais formas sociais de produzir, permitir ou impedir ideias.

ESTRUTURA JURÍDICO-POLÍTICA
A superestrutura jurídico-política seria o conjunto de relações sociais, sobretudo em instituições que dizem respeito ao emprego da violência legítima, isto é, consentida, em sociedades de modo a garantir tarefas sociais específicas como executar, legislar e julgar organizadas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

ÉMILE DURKHEIM
Durkheim concebe como realidades sociais as maneiras de agir, isto é, de pensar e sentir que seriam coletivas e não individuais, como, por exemplo, ideais e sentimentos patrióticos, chamadas por ele de FATOS SOCIAIS.

FATOS SOCIAIS
Diferentes de muitas realidades encontradas em sociedades que não são propriamente sociais, como comer, beber, dormir e raciocinar, que são de origem biológica ou psicológica, os fatos sociais teriam origem coletiva e se manifestariam nas ações individuais como coisas não espontâneas, isto porque seriam adquiridas por meio de educação ou outras formas de exercer coerção nos indivíduos para que se comportem de acordo com valores sociais e não de acordo com o que seriam seus possíveis impulsos e forças naturais.

Para Durkheim o ponto mais importante é considerar que o social é decorrente da interação entre indivíduos, mas será sempre diferente de qualquer realidade própria de individualidades ou da soma do que for individual naqueles que participam da vida coletiva.
Não há, portanto, continuidade entre o que os indivíduos são por natureza e o grupo e a sociedade que formam.
As sociedades não representam ninguém, não são a vontade de ninguém, antes o contrário: os homens é que representam as sociedades, aquilo que eles produziram coletivamente, a consciência coletiva de cada uma delas
SOCIAL Assim como a água, que é realidade completamente diferente do oxigênio e do hidrogênio que formam as suas moléculas, o social nada tem a ver com a realidade biológica ou com a realidade psicológica dos indivíduos que vivem em um grupo ou em uma sociedade.

MAX WEBER
Sociais são as ações cujos sujeitos, ao agirem, tenham em mente a conduta ou ação de outros e se orientem por essa ação ou conduta.
o social deve ser definido de acordo com o que próprio sujeito da conduta ou ação individual que tiver mentalizado.
Se ao agir leva em conta a conduta de outros e se orienta por ela, agirá socialmente, caso contrário, não. Ao cientista social cabe apenas interpretar

Ao dizer que os três autores clássicos das Ciências Sociais são diferentes entre si, é justo dizer que Weber é o mais diferente
Marx e Durkheim destacam realidades coletivas como realidades fora e acima dos indivíduos, respectivamente, classes e consciência coletiva, coisa que Weber não aceita em hipótese alguma.

Se há algum sentido na existência das sociedades, nas instituições, nas pessoas jurídicas, este sentido (consciente ou não) para Weber, só poderá estar nas pessoas individuais que participam de ações comunitárias (ações nas quais os participantes têm o sentimento de pertencer a um todo).
Weber criou a chamada Sociologia Compreensiva, que consiste em interpretar os sentidos, isto é, os motivos mentalizados pelos indivíduos quando agem socialmente (Seja em ações puramente individuais, seja tomando parte em ações coletivas)
Weber chamou de TIPO IDEAL o seu principal recurso interpretativo e apresentou uma tipologia básica desses sentidos, bem como uma tipologia da dominação, caso especial de poder, ponto fundamental da parte política de seu pensamento.
Existem três formas clássicas de pensar nas Ciências sociais que não se excluem, mas também não se completam. Poderíamos dizer que são como diferentes línguas, idiomas, cada uma com suas regras próprias, sua gramática, sua sintaxe.
Ao contrário das línguas, as formas clássicas de pensar das Ciências Sociais não se traduzem umas nas outras. Cada uma delas é uma forma independente de pensamento que levanta os seus próprios problemas e tem a sua maneira própria de resolvê-los. Assim é a pluralidade nas Ciências Sociais.

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