segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR

A IMPORTÂNCIA DA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR: A
VISÃO DOS ALUNOS E PROFESSORES DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFPB
Deyse Morgana das Neves Correia (1), Maria do Socorro Xavier Batista (3)

Este trabalho resulta de reflexões do projeto de Monitoria: A contribuição da Sociologia da Educação na formação de educadores no curso de Pedagogia da UFPB, e tem por objetivos:
identificar a importância da Sociologia da Educação (SE) na formação docente, analisar as obras clássicas da SE e sua importância e influência na prática educativa e identificar as concepções que os alunos e professores do curso de Pedagogia da UFPB têm da contribuição
desta disciplina para a formação do educador. Dentre os inúmeros enfoques sócioeducacionais discutidos na SE, abordamos os paradigmas clássicos do consenso e do conflito
representadas por Durkheim e Marx, as teorias críticoreprodutivistas
de Althusser, Establet &
Baudelot e Bordieu & Passeron. Para fazer um panorama da visão dos diversos sujeitos do
curso de Pedagogia sobre a formação de educadores, investigouse
através de questionários
aplicados com alunos ingressantes e préconcluintes
e com professores do Centro de
Educação da UFPB, a concepção destes sobre a influência da SE, seus conteúdos, autores e
temas na formação docente e na prática educativa. Esta pesquisa resultou na afirmação da
importância da SE para analisar a sociedade sob o prisma de vários olhares, compreender a
realidade sócioeducacional
e, assim, promover uma educação crítica transformadora.
Palavraschave:
Sociologia da Educação, formação docente, Pedagogia.
Introdução
Este texto é fruto das reflexões do projeto de Monitoria: A contribuição da Sociologia da
Educação na formação de educadores no curso de Pedagogia da UFPB, que tinha como
objetivos: contribuir para a capacitação discente através do aprofundamento do conhecimento
sociológico da educação em seus aspectos teóricometodológicos,
identificar a contribuição da
Sociologia da Educação (SE) na formação dos educadores sob a ótica dos alunos e de
professores. Para tanto, utilizamos os seguintes recursos: pesquisa bibliográfica, pesquisa em
rede, leitura e fichamento de obras clássicas, análise de documentos oficiais, aplicação de
questionário e análise de dados.
O texto discutirá inicialmente a discussão sobre a importância da Sociologia da
Educação e de seus teóricos para a formação docente, e, posteriormente, descreverá e
analisará os resultados da pesquisa realizada junto aos alunos ingressantes e préconcluintes
do curso de Pedagogia da UFPB e junto aos professores da disciplina Sociologia da Educação
e de outras disciplinas do curso.
1. A Importância da Sociologia da Educação no Curso de Pedagogia
A pedagogia é um campo de conhecimento interdisciplinar, aglutina contribuições de
vários campos de conhecimentos, especialmente das Ciências Humanas. Nesse sentido a
disciplina Sociologia da Educação, caracterizada como um olhar sociológico sobre o fato
educativo tem contribuído para fundamentação de diversas disciplinas que compõem o
currículo do curso e para a compreensão da realidade educacional no contexto da sociedade
brasileira o que tem justifica a sua presença na estrutura curricular dos cursos de pedagogia
desde o início desses cursos no Brasil.
Diversos autores (TURA, 2001; SILVA, 2003; SOUZA, 2003) discutem o papel que
Sociologia da Educação para uma compreensão crítica da realidade social, política, econômica
e cultura na qual a escola e a educação estão inseridas e contribui para uma formação de
educadores com uma visão crítica que possa formar indivíduos para compreenderem e
transformarem a realidade onde vivem.
A educação entendida como uma prática social que busca formar indivíduos para a vida em
sociedade deve proporcionar uma visão que os permita uma compreensão da sociedade em
todas as suas dimensões. Para tanto se torna necessário um currículo que em seus conteúdos
e em suas práticas possibilitem uma problematização e reflexão crítica das relações sociais,das
4CEDFEMT01
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(1) Monitor(a) bolsista(a) (3) Prof(a) Orientador(a)/Coordenador(a).
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relações de poder existentes na sociedade, pois como discute Bernstein, citado por Forquin
(1993, p.85):
O modo como uma sociedade seleciona, classifica, distribui, transmite e avalia os
saberes destinados ao ensino reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira
pela qual aí se encontra assegurado o controle social dos comportamentos individuais .
Embora o campo de conhecimento da Sociologia não garanta por si o compromisso de
promover uma educação crítica transformadora, pela sua especificidade de analisar a
sociedade sob o prisma de vários olhares que as diversas perspectivas analíticas ensejam já
possibilita uma ampliação da compreensão da realidade social e da educação como um
fenômeno fundamental na transmissão da herança cultural, dos modos de vida, das ideologias,
na formação para o trabalho que guarda uma estreita relação com a realidade em cada
contexto histórico. Daí a importância dessa disciplina no currículo dos cursos de formação de
educadores.
Alguns autores da Sociologia como Durkheim, Manheim, Parsons e Merton incluíram a
educação entre seus objetos de pesquisa e de reflexão teórica. Entre os marxistas destacamse
Althusser e Gramsci. No Brasil, Florestan Fernandes e Fernando Azevedo foram os
expoentes que tiveram a educação como foco de suas preocupações.
2. Marcos Teóricos da Sociologia da Educação
Dentre os inúmeros enfoques da sociedade e da educação, destacamse
os
paradigmas considerados clássicos que enfocam em suas análises o consenso ou o conflito,
correspondendo às correntes positivista/funcionalista e crítica/dialética originadas
respectivamente em Émile Durkheim e Karl Marx, que influenciam análises e pesquisas no
campo da Sociologia da Educação (SE).
O estudo dos autores considerados clássicos propicia o entendimento da sociedade
relacionada com a práxis educativa. Émile Durkheim é um marco no surgimento da Sociologia
como ciência e como disciplina. Além de ter contribuído para a definição do objeto e do método
sociológico, foi um dos pioneiros na inclusão da Sociologia no currículo acadêmico,
especificamente no curso de formação de professores, no qual lecionava. Destacase
na teoria
durkheimiana sua concepção de sociedade como um organismo composto por distintas
instituições que se complementam e se interpenetram, cada uma desempenhando uma função
e formando um todo homogêneo e consensual. Nesse arcabouço explicativo a educação ocupa
lugar central como um fato social, que contribui para a “socialização metódica das novas
gerações” (DURKHEIM, 1987, p.41) e para integrar os indivíduos na sociedade em que estão
inseridos, disseminando a consciência coletiva.
Vendo a educação com duplo aspecto, uno e múltiplo, como seus constituintes básicos
Durkheim (1967, p. 40) aponta suas principais funções:
Suscitar na criança: 1) um certo número de estados físicos e mentais, que a
sociedade a que pertença, considere como indispensáveis a todos os seus
membros; 2) certos estados físicos e mentais, que o grupo social particular
(casta, classe família, profissão) considere igualmente indispensáveis a todos
quantos o formem.
Ao tratar das relações entre o educador e a criança submetida à sua influência,
Durheim (1967, p. 5354)
defende que a criança fique “por condição natural, em estado de
passividade” e o educador assume uma posição de superioridade advinda da sua experiência,
sua cultura e da moral que ele encarna. Assim a ação educativa é entendida como um trabalho
de autoridade. A autoridade é o meio essencial da ação educativa. “A autoridade moral é a
qualidade essencial do educador”.
Essa concepção de educação e do papel do professor influenciou as práticas
pedagógicas adotadas no Brasil ao longo da história da educação e a atividade docente que
nela se realiza. Como pode se observar nas tendências pedagógicas analisadas por Libâneo
(1989), especialmente na sua vertente tradicional que tem no professor a figura central do
processo ensino aprendizagem, como detentor do domínio de conteúdos que devem ser
repassados aos educandos que devem se portar passivamente como receptores de conteúdos.
Prática docente denominada de “bancária” e enfaticamente criticada por Paulo Freire. As idéias
de Durkheim influenciaram vários autores destacandose
Fernando Azevedo e Anísio Teixeira
influentes educadores da escola nova.
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Noutra perspectiva, temos a teoria crítica fundamentada no materialismo histórico
dialético de Karl Marx, que influenciou todo o pensamento crítico em educação, começando
pelas idéias reprodutivistas de Althusser, Establet e Baudelot que ressaltaram a contribuição da
educação na reprodução das relações sociais de produção. A análise materialista histórica de
Marx vê a sociedade capitalista sob a perspectiva do conflito resultante das contradições
produzidas pela divisão da sociedade em classes sociais, definidas pela apropriação dos meios
de produção, demarcando uma classe detentora dos meios de produção e da riqueza que
advém do trabalho da classe trabalhadora.
Para Marx, a sociedade se estrutura por uma base constituída das forças produtivas e
das relações de produção, donde se originam as idéias, a política, a religião, o direito e a
filosofia que constituem a superestrutura. As relações de produção classistas são conflitivas e
contraditórias provocando constantemente crises que não encontram solução nos marcos da
sociedade burguesa. Assim, ele defende uma revolução liderada pelas classes trabalhadoras
para superar essa sociedade classista e a criação de uma sociedade onde não mais existiria a
exploração do homem pelo homem, culminando numa sociedade comunista, na qual os meios
de produção seriam coletivizados.
Marx não se deteve numa discussão sobre a educação, sua teoria se concentrou na
análise econômica, sociológica, histórica e filosófica, da sociedade capitalista, mas o
desdobramento de suas análises das relações de poder inerentes às relações classistas
produziu contribuições importantes para a compreensão da escola e da ação educativa.
Originadas da teoria marxista, surgem as concepções críticoreprodutivistas
de
Althusser (1983), Bourdieu e Passeron (1982), Establet e Baudelot (1971) que denunciavam o
caráter classista, excludente, ideológico e reprodutor das relações sociais de produção e
dominação da educação no sistema capitalista. Esses autores ressaltam a atuação da
educação escolar na reprodução das relações sociais de produção e de dominação. O primeiro
desvenda a atuação do Estado capitalista na reprodução das classes sociais, através dos
aparelhos repressivos e ideológicos que o compõem, e apresenta a escola como o principal
Aparelho Ideológico do Estado que atua essencialmente pela transmissão e inculcação da
ideologia, especialmente a ideologia que interessa à classe dominante. Uma vez que atua ao
longo de vários anos na preparação de crianças e jovens, transmitindo a ideologia da classe
dominante, recalcando e reprimindo uma ideologia orgânica à classe, ao mesmo tempo em que
proporciona a reprodução da submissão às normas da ordem vigente. Contribuindo dessa
forma para a reprodução das relações sociais de exploração (entre explorados e exploradores),
ao escamotear, esconder, dissimular as reais condições de exploração.
Antonio Gramsci, outro autor que bebeu da fonte sociológica marxista e desenvolveu
sua análise social e educacional partindo do pressuposto da existência de uma sociedade
conflituosa e contraditória, baseada em princípios capitalistas de exploração e submissão,
vincula a educação a uma estrutura de combate ideológico hegemônico e contrahegemônico
e
a considera um espaço pedagógico que funciona tanto como instrumento de dissimulação, a
serviço da classe dominante, quanto revela à classe dominada as contradições existentes,
permitindo a esta última reagir. A defesa de Gramsci definese
na utilização da escola como
centro de formação da consciência crítica e política para realizar uma mudança real da
estrutura social vigente.
Essas e outras diferentes concepções de sociedade e de educação permitem uma
análise de diversos temas tratados pela SE destacandose:
concepções de sociedade, de
educação, a relação entre educação e sociedade, as relações de poder na escola, as
determinações das políticas educacionais, a relação entre classes sociais e o acesso à
educação escolar, os fundamentos das tendências pedagógicas na prática escolar, questões
das realidades sociais e educacionais.
3. A Contribuição da Sociologia da Educação na Visão das (os) Alunas (os) Ingressantes
e PréConcluintes
do Curso de Pedagogia da UFPB
3.1. Visão das (os) Alunas (os) Ingressantes
As respostas aqui analisadas foram obtidas através da aplicação de um questionário
com 37 alunas (os) recém ingressantes no Curso de Pedagogia no período 2005.1 no turno da
noite, na disciplina Sociologia da Educação. Analisamse
neste item as concepções das (os)
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alunas (os) sobre a contribuição desta disciplina para a formação do educador e para a prática
docente.
Cerca de 64% das (os) alunas (os) responderam que não haviam até então, estudado
Sociologia e apenas 36,1% tiveram contato com essa disciplina, principalmente na escola
normal, o que evidencia a pouca presença da Sociologia no ensino médio.
Ao responderem sobre o que seria o objeto de estudo da Sociologia, os temas mais
citados foram: “cultura” (6,2%), “problemas sociais” (7,5 %), “concepções sociais” (9,2%),
“comportamento” (15,3%), “desenvolvimento social” (19,7%), “homem na sociedade” (20,4%),
“sociedade em geral“(20,4%), e “educação” (1,3%). Embora algumas respostas tenham sido
inconsistentes ou amplas, a maioria das respostas foi pertinente, enfatizando mais os aspectos
gerais da sociedade.
Devido ao pouco contato com a Sociologia no Ensino Médio, como já constatado
acima, quando questionados sobre o que a Sociologia da Educação estuda, as respostas
demonstraram pouco ou nenhum entendimento acerca dos conteúdos desta disciplina,
ocorrendo, inclusive, citações que abordavam conteúdos de Psicologia e também de
Economia. Mas, algumas menções apontadas em grande número são compatíveis com os
conteúdos trabalhados em SE. Dentre essas respostas, destacamse
temas como: “Políticas
educacionais”, “Problemas educacionais”, “Metodologia educacional”, “Relações interpessoais”
e “Correntes e conceitos”.
Tratando das contribuições da SE para a formação do educador e para a prática
docente foram apresentadas respostas relacionadas com o objetivo da disciplina: “o educador
se torna crítico e participativo”, “acrescendo conhecimentos ao professor”, “estudando a
sociedade”, “ampliando a ação do educador na sociedade” e “oferece subsídios para entender
o homem e suas relações com o mundo”. Estas respostas evidenciam uma relação intrínseca
entre a SE e a compreensão da sociedade, incluindo nesta relação uma outra, a existente entre
educação e sociedade, duas instâncias complementares e dependentes.
A concepção de que a SE contribui para tornar o educador crítico e participativo
corrobora uma visão compartilhada por muitos educadores no que se refere à contribuição da
Sociologia na formação de indivíduos. Isto pode ser confirmado em documentos oficiais e
textos como o de Sarandy (2001), ou em outras pesquisas como a de Silva (2003), a qual
defende que há um imaginário em torno da contribuição da Sociologia na formação dos jovens
no sentido de desenvolver um pensamento crítico e cidadão e, por conseqüência, a esperança
de constituição de um regime político democrático, na prática social, especificamente docente.
3.2. Visão das (os) Alunas (os) PréConcluintes
Os dados analisados a seguir pretendem suscitar a contribuição da disciplina
Sociologia da Educação na formação profissional do educador, de acordo com a concepção
das (os) alunas (os) préconcluintes
no Curso de Pedagogia, dos turnos matutino e noturno, no
período letivo de 2005.2, dos quais 23 colaboraram respondendo um questionário.
A distribuição percentual das (os) alunas (os) no tocante ao sexo demonstra a
majoritária presença feminina no Curso de Pedagogia (91,3%), o que confirma a feminização
da carreira do Magistério. A intrínseca relação entre a mulher e a educação das crianças é
evidenciada tradicionalmente pela atribuição de características naturalmente femininas
necessárias ao trato com as crianças: sensibilidade, afetividade, paciência, intuição, doçura.
Além disso, há uma ligação histórica, determinada numa sociedade patriarcal, entre a ação
educativa e a maternidade, trazendo as considerações de uma “tradição pedagógicamaterna”
a qual, segundo Costa (1995) apresenta o Magistério como o meio pelo qual a mulher
exerceria duplamente sua maternidade, na escola e no lar.
Todas (os) as (os) alunas (os) que se submeteram ao questionário, estavam cursando
o oitavo período, sendo que 52,2% no turno da manhã e 47,8% estudavam no período da noite.
Como a maioria das (os) alunas (os) também trabalha, 56,5% delas (es) direcionam sua
atividade profissional à carreira docente. Podemos constatar que o turno da tarde caracterizase
como sendo o período destinado às atividades profissionais destas (es) alunas (os).
Entre as (os) estudantes que trabalham, 53,8% o fazem em apenas uma escola, e
38,4% trabalha em mais de uma sendo 23,1% em duas escolas e 15,3% em três escolas, o
que dificulta o processo de aprendizagem dessas (es) alunas (as) pela falta de tempo para se
dedicar e aprofundar mais seus estudos. Estes dados mostram a difícil realidade vivenciada
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pelos docentes, caracterizada por uma baixa remuneração, que, em conseqüência, obriga o
profissional a se submeter a uma carga horária múltipla para conseguir o cumprimento de suas
obrigações com a família e o lar.
Um percentual considerável destas (es) estudantes (61,3%) possui tempo de serviço
na carreira docente entre 06 anos e 10 anos. Considerando que a maioria das (os) alunas (os)
encontramse
na faixa etária entre 26 e 30 anos, podese
constatar que estas (es) alunas (os)
iniciaram as atividades de docência em torno dos 20 anos de idade. Esses dados mostram que
quase todos esses profissionais assumiram a profissão sem que já tivessem uma formação
inicial adequada.
Quanto à categoria administrativa das escolas, a pesquisa registrou que 38% das (os)
alunas (os) trabalham em escolas privadas, enquanto que 62,5% das (os) alunas (os)
trabalham em escolas públicas. Dentre estas (es), 80% em escolas públicas municipais e 10%
em escolas estaduais.
Das 26 menções realizadas pelas (os) alunas (os) acerca da contribuição da disciplina
SE para a formação do educador no Curso de Pedagogia, destacamse
“conscientizar
professor do seu papel”, “formar consciência crítica”, “compreender a realidade social, cultural,
econômica e a cidadania”, “entender a relação entre educação, Estado e sociedade” e
“entender os paradigmas sociais”. Estas afirmações validam a relação existente entre a
sociedade e a educação, evidenciando também a importância da Sociologia da Educação no
entendimento e aprofundamento dessa relação.
Nas respostas à questão “Cite alguns conteúdos e/ou autores abordados na disciplina
SE no Curso que você mais gostou”, os autores mais citados (13 vezes), abordados na
disciplina Sociologia da Educação, foram Émile Durkheim e Karl Marx, os quais tiveram sua
idéias explicitadas acima.
Quanto aos destaques realizados pelas (os) alunas (os) acerca dos conteúdos
trabalhados em SE, podese
mencionar a relevância dos seguintes temas: “correntes
pedagógicas”, “valores sóciopolíticoeconômicos”,
“escola na sociedade capitalista”,
“aparelhos ideológicos do Estado” e “relações hegemônicas”. Estas últimas citações remetem
respectivamente, aos autores Louis Althusser e Antonio Gramsci, também destacados
anteriormente como autores importantes estudados na disciplina Sociologia da Educação
(citados 3 e 6 vezes, respectivamente).
Uma das questões solicitou às (aos) alunas (os) que avaliassem a contribuição dos
conteúdos de SE para sua formação como educador (a). Para tanto, foram listadas várias
alternativas de habilidades e competências para que fossem marcadas com P se contribuiu
Pouco, com R se Regular ou M se contribuiu Muito. Os itens que se destacaram na avaliação
das(os) alunas (os), como aqueles conteúdos da SE que contribuíram Muito para a formação
de educadores foram: “para compreender a relação entre educação e sociedade”, 69,5%;
65,2% deles destacou a contribuição “para construir uma sociedade justa e igualitária”, “para
compreender a relação entre professor e aluno”, “para formar um educador transformador” e
“para entender a escola como formadora de cidadãos”.
Estas respostas encontram eco na visão de educação de Freire (2000, p. 45) quando
afirma:
Me parece demasiado obvio que a educação de que precisamos, capaz de formar
pessoas críticas, de raciocínio rápido, com sentido do risco, curiosas, indagadoras não
pode ser a que exercita a memorização mecânica dos educandos. A que ‘treina’ em
lugar de formar. Não pode ser a que deposita conteúdos na cabeça ‘vazia’ dos
educandos, mas a que, pelo contrário, os desafia a pensar certo. Por isso é a que
coloca ao educador e a educadora a tarefa de, ensinando conteúdos ao educando
ensinalhes
pensar criticamente.
Essa concepção de educação numa perspectiva crítica não é unânime nas teorias
sociais nem na postura de todos os educadores. Pois essa compreensão não é compartilhada
pelos adeptos da pedagogia tradicional, que tem predominado nas escolas brasileiras.
4. A Contribuição da Sociologia da Educação na Visão dos Professores do Curso de
Pedagogia da UFPB
Esta pesquisa foi realizada com professores do Centro de Educação da UFPB que
ministram aulas das disciplinas de Didática, Sociologia da Educação, Economia da Educação,
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Estágio Supervisionado, Ética Profissional, Educação e Trabalho, Supervisão Escolar,
Fundamentos da Educação Especial e Métodos de Intervenção.
O perfil destes professores os encaixa na faixa etária adulta, permeando os
pesquisados entre as idades de 33 a 53 anos, sendo 66,7%, mulheres e 33,3%, professores do
sexo masculino.
Eles elencaram diversas contribuições da SE na formação dos educadores, dentre as
quais podemos destacar: “compreender o ato educativo como um ato social situado e
determinado por interesses e contingências, mas também possível de ser recriado, repensado,
transformado”; “estreitar a percepção da teoriaprática
de interrelação
entre sociedade e
educação e “pensar a escola para formar cidadãos aptos a se inserirem na sociedade de forma
critica”. Assim, podemos perceber a relevância da SE para cumprir o objetivo da educação
pretendida na concepção destes professores, uma compreensão de criticidade, de praticidade
e de transformação.
No que tange aos autores do pensamento sociológico que influenciam as perspectivas
analíticas da disciplina que eles ministram, estes professores apontaram em maior número os
clássicos da Sociologia da Educação: Karl Marx (citado 5 vezes), Émile Durkheim (citado 3
vezes) e Max Weber (vitado 3 vezes). Mas também consideraram que outros autores tratados
pela disciplina SE são imprescindíveis em suas disciplinas: Antonio Gramsci (citado 3 vezes),
Florestan Fernandes (citado 2 vezes), Pierre Bourdieu (citado 2 vezes), Michael Apple (citado 1
vez).
Uma das professoras expressou que os autores trabalhados na SE “influenciam no
sentido de fornecer ao aluno um panorama da diversidade de posições teóricas possíveis à
análise do fenômeno educativo”. Nesse sentido, percebese
a ligação estreita e de extrema
importância entre a Sociologia da Educação e as diversas disciplinas que compõem o curso de
formação de educadores.
Uma das questões solicitava aos professores que apontassem alguns conteúdos/temas
que em sua opinião são imprescindíveis na disciplina Sociologia da Educação. Dentre os
conteúdos e as temáticas sugeridas pelos professores consultados, podemos destacar: “a
escola hoje e sua organização no contexto brasileiro”, “o professor e seu papel na
transformação social”, “a escola como instituição social e seu papel na sociedade” e
“categorias teóricas do pensamento de Marx”. Ao enfatizar este último tema, uma professora
analisou a sua importância, “tendo em vista a forte influência das mesmas nos discursos (orais
e escritos) dos autores/pesquisadores da pedagogia e da educação”. Na visão desses
docentes esses temas contribuem para as demais disciplinas e para o objetivo geral de formar
educadores qualificados.
Como último questionamento foi requerido a estes professores que explicitassem a
qual corrente sociológica, cada um deles identificava a sua própria prática educativa. As
correntes clássicas da Sociologia (Racionalidade burocrática, Coesão social, Transformação
social e a Reprodução social) foram as mais apontadas pelos professores. Ao ponderar sobre
as correntes mais clássicas, uma das professoras, destacou o grande valor destas, “pela força
(...) que ainda possuem (apesar das diversas críticas) na explicação do fenômeno pedagógico”.
Considerações Finais
A união entre ensino e pesquisa foi bastante inovadora e contribuiu para melhorar o
ensino da disciplina Sociologia da Educação. Destacamos também a importância desse projeto
pela experiência de acompanhar de perto as rotinas da prática educativa do ensino superior, a
prática de pensar e elaborar planos de aula, a associação entre a teoria e a prática do
professor. Além disso, a vivência de participar de uma pesquisa, desde a leitura de textos que
fundamentam a temática em estudo, a elaboração dos instrumentos de coleta de dados da
pesquisa, na aplicação, na organização e análise dos dados, vivenciando os percalços e
dificuldades para se produzir.
Os resultados da pesquisa evidenciam a importância e a decorrente necessidade
indispensável das discussões teóricometodológicas
promovidas pela disciplina Sociologia da
Educação no currículo do Curso de Pedagogia com a finalidade de condicionar a formação de
profissionais da educação movidos pelo inconformismo, pela criticidade e pelo desejo de
transformação social/educacional.
UFPB – PRG _____________________________________________________________X ENCONTRO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
Referências
ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos do Estado: notas sobre os aparelhos ideológicos
do estado (AIE). 3. ed., Rio de janeiro: Edições Graal, 1983.
COSTA, Marisa Cristina Vonaber. Trabalho Docente e Profissionalismo. Porto Alegre:
Sulina, 1995
DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 7. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1967.
ESTABLET, Roger; BAUDELOT, Christian. L’école capitaliste en France. Paris: Maspero, 1971
FORQUIN, JeanClaude.
Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do
conhecimento escolar. Porto alegre. Artes Médicas. 1993
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São
Paulo, UNESP,2000.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública. A pedagogia críticosocial
dos
conteúdos. São Paulo. Loyola. 1989.
SARANDY, Flávio Marcos Silva. Reflexões acerca do sentido da sociologia no Ensino
Médio. In: Revista espaço acadêmico. Ano I, n. 5, outubro de 2001. Disponível em:
http://www.espacoacademico.com.br/005/05sofia.htm. Acesso em 20/08/2005.
SILVA, Kelly Cristine Corrêa da. Os lugares da Sociologia na formação escolar de
estudantes do ensino médio: a perspectiva de professores. 26ª Reunião anual da ANPED,
Poços de Caldas, 2003. Disponível em: http://www.anped.org.br/inicio.html.

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